Quero lançar-me numa fogueira e sentir o cheiro da minha própria carne sendo queimada com todos os desejos que um dia me atordoaram. Quero agoniar-me com meus próprios gritos de dor e derreter lentamente como uma vela na escuridão.
Quero morrer aos poucos, assim como vivi, como sofri e como amei.
Quero que caçoem de mim até meu último suspiro por saberem que, de tanto pregar o amor, me preguei à um impossível e junto à minha covardia lancei-me ao enxofre.
Miserável! Maldita! Mau amada e todos os outros emes.
Algumas lagartas morrem lagartas. São banhadas de álcool e queimadas quando se aproximam demais das belas flores e dos bons frutos. Se retorcem, se arrastam e se encontram com a morte antes mesmo de criar as tão esperadas asas.
Se não fosse tamanha a vontade por aquelas folhas, se tivessem resistido, se esperassem elas voarem ao seu encontro não teriam passado por tal sofrimento. Mas como lidar com seu instinto? Como frear se o desejo te carrega à própria morte e abre sua sepultura?
É como me vejo.
Me deslumbrei, me deixei levar e, antes mesmo de sentir de perto o cheiro do verde, me vejo banhada em álcool.
Aguardo a morte.
Toquem músicas eruditas enquanto ardo em chamas e digam ao meu amor que eu a amei - e como amei.
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